Fotografia por Manuel Vizoso

Bloco B – Sessões paralelas, FutureMD 8.0

O dia final da oitava edição trouxe consigo as sessões paralelas, nomeadamente o Bloco B.

No último dia do congresso, rumámos ao Campo de Santana para as sessões paralelas. Nestas, internos de diversas especialidades partilham com os estudantes vários aspetos do internato e da prática da especialidade: como é o dia-a-dia, o que esperar de remuneração ou de horas semanais de trabalho, vantagens e desvantagens, etc. No Bloco B, “Soube que era (especialidade) para a vida toda”, debruçámo-nos sobre cinco especialidades: Pediatria, Saúde Pública, Hematologia, Endocrinologia e Ginecologia e Obstetrícia.

A primeira palestra do Bloco B ficou a cargo da Dra. Ana Cardoso Drumond, médica especialista em Pediatria. Um dos primeiros aspetos que salientou acerca do internato médico desta especialidade foi a quantidade elevada de horas semanais. O que a Dra. Ana nos transmitiu foi que este é um internato exigente, que conta com uma avaliação contínua, adicionalmente à avaliação final. Cada estágio feito pelo interno é classificado com uma nota. Pode também haver uma avaliação anual, cujo regime depende do hospital.

Relativamente à avaliação final, o sistema muda a partir de 2027. Para além da prova de discussão curricular, que se mantém, passa a haver uma prova prática e uma prova teórica, em que cada uma delas é igual a nível nacional. Apesar de ser uma especialidade adequada para quem gosta de variedade, tanto nas idades e abordagens do doente e família como na patologia, há uma falta de apoio financeiro para congressos e outras formas de formação.

Fotografia por Manuel Vizoso

A seguir à Pediatria, ficámos a conhecer melhor o internato de uma especialidade pouco concorrida mas tão necessária: a Saúde Pública. A ideia principal a retirar da exposição do Dr. João Pedro Vieira é que a Saúde Pública é uma área diversificada, com várias áreas de atuação, e isso reflete-se no internato. Há uma grande liberdade para cada interno construir o seu caminho.

Apesar de não haver competências oficialmente reconhecidas pela Ordem dos Médicos no domínio da Saúde Pública, a verdade é que cada médico vai-se especializando, sendo comum fazer mestrados e outras formações em temas do seu interesse.

Sendo uma área que acolhe poucos internos todos os anos e com poucos especialistas, a procura por estes profissionais é maior. No entanto, não existem horas extra que se traduziriam num maior vencimento. Ainda assim, é possível manter a clínica, através da realização de tempos de urgência, consultas de medicina do viajante e outros.

Depois da Saúde Pública, voltámos ao hospital com a Hematologia, pela Dra. Cátia Querido Monteiro. A Dra. Cátia não fugiu ao elefante na sala. Afirmou que a Hematologia é, de facto, uma especialidade exigente do ponto de vista emocional. Ainda assim, é gratificante também porque há muitos doentes que se curam e vêm a viver muitos mais anos.

Os novos fármacos são também uma parte empolgante da Hematologia. Cada vez mais doentes sobrevivem graças a este desenvolvimento, que é constante nesta área. No entanto, isto obriga o hematologista a manter-se sempre atualizado através do estudo. Ao contrário da Pediatria, na Hematologia a indústria farmacêutica é bastante presente no que toca a financiamento dos especialistas e internos para formações.

Fotografia por Manuel Vizoso

Da Hematologia, passámos para uma especialidade bastante diferente: o Dr. João Bernardo Costa veio-nos falar da Endocrinologia. Ao contrário do que muitos pensam, esta especialidade vai muito além de Diabetes e Tiróide, abordando áreas como a nutrição, neuroendocrinologia, desenvolvimento, obesidade, entre outros. É uma especialidade essencialmente de consulta, ocupando esta vertente cerca de 90% do tempo no público, mas entre 95 a 100% do tempo no privado. Há muito pouco internamento e as urgências são raras. O foco acaba por ser muito mais o acompanhamento crónico dos doentes.

Este seguimento mais prolongado no tempo permite estabelecer uma melhor relação médico-doente, que é destacado como uma vantagem desta especialidade. Outra vantagem é, à semelhança da Hematologia, o desenvolvimento constante de novos fármacos e tecnologias que apoiam a prática clínica. Tal como na Hematologia, isto permite melhorar o prognóstico de muitos doentes e aumentar o leque de armas terapêuticas do médico. Ao mesmo tempo, traz também aos médicos muito apoio financeiro da indústria farmacêutica para congressos e formações, principalmente na área da Diabetes e Obesidade.

A terminar o bloco, veio a única especialidade cirúrgica das cinco apresentadas. O Dr. Diogo Figueiredo de Lima falou-nos de Ginecologia e Obstetrícia. Destacou a versatilidade da especialidade, sendo médico-cirúrgica e abrangendo duas áreas diferentes, nomeadamente a Ginecologia e a Obstetrícia. É também uma especialidade imprevisível. Uma noite calma nas urgências rapidamente se pode converter em caos, numa questão de poucos minutos.

Pausa de almoço no pátio da faculdade, por Manuel Vizoso

Para aqueles que gostam de uma prática clínica mais hands-on, a Ginecologia e Obstetrícia é uma especialidade indicada. Concilia o bloco de partos com cirurgia ginecológica e ainda muitas técnicas. É também uma área onde se tem assistido a um grande desenvolvimento técnico e científico. O Dr. Diogo deu o exemplo da cirurgia fetal, que é possível que daqui a uns anos se torne uma prática comum da Obstetrícia.

Depois de uma manhã enriquecida com estas cinco exposições, partimos para a pausa de almoço, que contou com gelados oferecidos no pátio da faculdade.


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