O dia final da oitava edição trouxe consigo as sessões paralelas, nomeadamente o Bloco B.
No último dia do congresso, rumámos ao Campo de Santana para as sessões paralelas. Nestas, internos de diversas especialidades partilham com os estudantes vários aspetos do internato e da prática da especialidade: como é o dia-a-dia, o que esperar de remuneração ou de horas semanais de trabalho, vantagens e desvantagens, etc. No Bloco B, “Soube que era (especialidade) para a vida toda”, debruçámo-nos sobre cinco especialidades: Pediatria, Saúde Pública, Hematologia, Endocrinologia e Ginecologia e Obstetrícia.
A primeira palestra do Bloco B ficou a cargo da Dra. Ana Cardoso Drumond, médica especialista em Pediatria. Um dos primeiros aspetos que salientou acerca do internato médico desta especialidade foi a quantidade elevada de horas semanais. O que a Dra. Ana nos transmitiu foi que este é um internato exigente, que conta com uma avaliação contínua, adicionalmente à avaliação final. Cada estágio feito pelo interno é classificado com uma nota. Pode também haver uma avaliação anual, cujo regime depende do hospital.
Relativamente à avaliação final, o sistema muda a partir de 2027. Para além da prova de discussão curricular, que se mantém, passa a haver uma prova prática e uma prova teórica, em que cada uma delas é igual a nível nacional. Apesar de ser uma especialidade adequada para quem gosta de variedade, tanto nas idades e abordagens do doente e família como na patologia, há uma falta de apoio financeiro para congressos e outras formas de formação.

A seguir à Pediatria, ficámos a conhecer melhor o internato de uma especialidade pouco concorrida mas tão necessária: a Saúde Pública. A ideia principal a retirar da exposição do Dr. João Pedro Vieira é que a Saúde Pública é uma área diversificada, com várias áreas de atuação, e isso reflete-se no internato. Há uma grande liberdade para cada interno construir o seu caminho.
Apesar de não haver competências oficialmente reconhecidas pela Ordem dos Médicos no domínio da Saúde Pública, a verdade é que cada médico vai-se especializando, sendo comum fazer mestrados e outras formações em temas do seu interesse.
Sendo uma área que acolhe poucos internos todos os anos e com poucos especialistas, a procura por estes profissionais é maior. No entanto, não existem horas extra que se traduziriam num maior vencimento. Ainda assim, é possível manter a clínica, através da realização de tempos de urgência, consultas de medicina do viajante e outros.
Depois da Saúde Pública, voltámos ao hospital com a Hematologia, pela Dra. Cátia Querido Monteiro. A Dra. Cátia não fugiu ao elefante na sala. Afirmou que a Hematologia é, de facto, uma especialidade exigente do ponto de vista emocional. Ainda assim, é gratificante também porque há muitos doentes que se curam e vêm a viver muitos mais anos.
Os novos fármacos são também uma parte empolgante da Hematologia. Cada vez mais doentes sobrevivem graças a este desenvolvimento, que é constante nesta área. No entanto, isto obriga o hematologista a manter-se sempre atualizado através do estudo. Ao contrário da Pediatria, na Hematologia a indústria farmacêutica é bastante presente no que toca a financiamento dos especialistas e internos para formações.

Da Hematologia, passámos para uma especialidade bastante diferente: o Dr. João Bernardo Costa veio-nos falar da Endocrinologia. Ao contrário do que muitos pensam, esta especialidade vai muito além de Diabetes e Tiróide, abordando áreas como a nutrição, neuroendocrinologia, desenvolvimento, obesidade, entre outros. É uma especialidade essencialmente de consulta, ocupando esta vertente cerca de 90% do tempo no público, mas entre 95 a 100% do tempo no privado. Há muito pouco internamento e as urgências são raras. O foco acaba por ser muito mais o acompanhamento crónico dos doentes.
Este seguimento mais prolongado no tempo permite estabelecer uma melhor relação médico-doente, que é destacado como uma vantagem desta especialidade. Outra vantagem é, à semelhança da Hematologia, o desenvolvimento constante de novos fármacos e tecnologias que apoiam a prática clínica. Tal como na Hematologia, isto permite melhorar o prognóstico de muitos doentes e aumentar o leque de armas terapêuticas do médico. Ao mesmo tempo, traz também aos médicos muito apoio financeiro da indústria farmacêutica para congressos e formações, principalmente na área da Diabetes e Obesidade.
A terminar o bloco, veio a única especialidade cirúrgica das cinco apresentadas. O Dr. Diogo Figueiredo de Lima falou-nos de Ginecologia e Obstetrícia. Destacou a versatilidade da especialidade, sendo médico-cirúrgica e abrangendo duas áreas diferentes, nomeadamente a Ginecologia e a Obstetrícia. É também uma especialidade imprevisível. Uma noite calma nas urgências rapidamente se pode converter em caos, numa questão de poucos minutos.

Para aqueles que gostam de uma prática clínica mais hands-on, a Ginecologia e Obstetrícia é uma especialidade indicada. Concilia o bloco de partos com cirurgia ginecológica e ainda muitas técnicas. É também uma área onde se tem assistido a um grande desenvolvimento técnico e científico. O Dr. Diogo deu o exemplo da cirurgia fetal, que é possível que daqui a uns anos se torne uma prática comum da Obstetrícia.
Depois de uma manhã enriquecida com estas cinco exposições, partimos para a pausa de almoço, que contou com gelados oferecidos no pátio da faculdade.


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