Nesta edição do FutureMD, a habitual Mesa Redonda focou-se num tema bastante atual e importante: a problemática das Urgências.
A Mesa Redonda deste ano focou-se num tema bastante premente e do qual se ouve tanto falar: Urgências, as limitações associadas e as possíveis soluções. Foi moderada pela Dra. Rosário Pinheiro, atualmente responsável pela área de Eventos Institucionais e Protocolo na Nova Medical School, tendo concluído em dezembro de 2025 o Doutoramento em Comunicação Estratégica em Saúde.
Contou com a presença da Professora Doutora Maria do Céu Machado, antiga Diretora Clínica do Hospital Professor Fernando da Fonseca e do Centro Hospitalar Lisboa Norte. No painel, estava também o Dr. Manuel Melo, Administrador do Centro Hospitalar de São João, bem como o Dr. Andrés Araújo Silva, Médico de Urgência no Hospital Beatriz Ângelo e Coordenador Médico da VMER de Loures. Marcou ainda presença a Dra. Inês de Almeida Mendes, que é Médica Especialista em Urgência e Emergência e integrante da VMER.
Das várias temáticas que foram discutidas, a realidade social surgiu várias vezes. A Professora Doutora Maria do Céu Machado referiu explicitamente que “enquanto não resolvermos os problemas sociais, não resolvemos o problema das urgências”. A média portuguesa de ida ao Serviço de Urgência (SU) é 2,5 vezes superior à média da OCDE. Para além disso, em Portugal 28,9% dos imigrantes vivem em pobreza extrema ou exclusão social, o que leva a uma maior dificuldade de acesso ao sistema de saúde e prejudica um acompanhamento a longo prazo, promovendo mais idas às urgências.
A precariedade também é um problema social que impacta as urgências. Em Portugal, muita gente tem de conciliar dois ou três empregos para conseguir sustentar a sua família. Para estas pessoas, o único tempo em que lhes é possível ir ao médico é durante a noite, quando apenas o SU está aberto. Todas estes desafios sociais acabam por sobrecarregar as urgências.

A realidade social não só impacta indiretamente o SU mas também se sente dentro das portas do hospital. Abordou-se a realidade nos SUs, pelos testemunhos de pessoas que lá passam ou passaram grande parte do seu tempo. Foi referido que, muitas vezes, os médicos querem dar atenção clínica aos doentes e acabam a dar atenção social. Muitos dos problemas dentro do SU são mais sociais do que clínicos.
Para além disto, foi consensual entre alguns membros do painel que o Norte do país tem melhores centros de saúde e que isto leva as pessoas a recorrerem menos às urgências. Isto é um dos fatores para que haja mais problemas no SU no Sul do país. Outro ponto relevante que foi levantado é que muitos não entendem o que é uma urgência clínica. Dados citados pela Professora Doutora Maria do Céu Machado descrevem que 38% das admissões no SU são pulseiras verdes, azuis ou brancas. A este respeito, a Professora defendeu que deve haver uma maior educação da população e que esta deve passar por sessões a cargo das empresas, escolas e universidades.
Passando para outra temática, seria impossível não falar de urgências sem falar de tarefeiros. Nenhum dos membros do painel se mostrou hostil face a estes colegas, mas a Dra. Inês de Almeida Mendes foi quem se destacou mais na sua defesa. Os oradores pareceram convergir na opinião de que os hospitais vão acolher cada vez mais tarefeiros e que o SNS depende muito dos tarefeiros, no panorama atual. Ainda assim, foi expresso que, idealmente, deixaríamos de recorrer a estes profissionais, mas que, para isso, seria precisa uma adaptação estrutural do sistema. No remate desta problemática, a Dra. Inês advogou que a escolha de fazer tarefa não é uma perseguição louca ao dinheiro, mas é sobretudo uma procura por melhores condições de trabalho.
Ao longo da Mesa Redonda, foi notório que os oradores estavam bem informados e que viviam ou tinham vivido as dificuldades das urgências na pele. No entanto, o destaque de cada orador foi pouco igual. Foi notório que alguns oradores falaram muito mais do que outros, havendo algumas interrupções que perturbavam o discurso dos colegas de painel. Relativamente às ideias exploradas, um tema tão premente como este prestava-se a um debate mais profundo. As perguntas e as temáticas, apesar de importantes, trouxeram pouco de novo para a discussão.


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