O dia final da oitava edição trouxe consigo as sessões paralelas, nomeadamente o Bloco D.
Este ano o FutureMD contou com uma novidade. Em vez de um só bloco de sessões paralelas, este ano foi possível a cada participante assistir a dois, dentro dos seis possíveis. Da parte da tarde, o Bloco D contou com as especialidades de Medicina Geral e Familiar, Medicina Interna, Medicina Intensiva, Oncologia e Psiquiatria.
MGF iniciou o painel, com o Dr. Diogo Caetano dos Santos. A especialidade é puramente baseada em consulta. No sistema público, não há internamento nem urgências estabelecidas como parte do horário obrigatório. Ainda assim, é permitido aos médicos de família fazerem urgências, como extra ao seu horário normal de trabalho. No entanto, no sistema privado, habitualmente obrigam a 8 horas de urgência semanais.
Uma grande vantagem desta especialidade apontada pelo Dr. Diogo é horário, mais estável e sem trabalho aos fins de semana, feriados e noites. A diversidade é também um ponto positivo. Apesar de ser só consulta, estas acabam por ser todas muito diferentes umas das outras, com diversas patologias, idades dos doentes, entre outros. Se ainda assim a diversidade na consulta não for suficiente, há muitas outras formas de atuação possíveis, como projetos na comunidade e promoção de literacia na saúde. Outro benefício apontado é a boa organização do internato, embora alguns internos prefiram internatos menos estruturados.

Relativamente às desvantagens, é apontada a forma como o currículo ao longo do internato deve ser registado. É importante documentar todos os estágios, formações, congressos, projetos e tudo o mais que seja feito durante a formação. É também uma especialidade muito solitária, em que não se discute tanto com os colegas e o médico acaba por ficar muito cingido ao seu gabinete. Outro aspeto do qual muitos médicos de família se queixam é a quantidade de burocracia envolvida na prática clínica. Para além do tempo de consultas, muitos médicos têm de reservar um espaço no seu horário para tratar de documentos que são exigidos nos vários processos.
Mantendo-nos nas especialidades generalistas, passámos para a Medicina Interna, apresentada pela Dra. Mafalda Leal. A doutora descreveu a especialidade como a base do hospital, do internamento e do serviço de urgência. Cerca de 80% do tempo é passado no internamento.
Quem já passou por estágios de Medicina Interna sabe que atualmente o paradigma da atuação da especialidade são cada vez menos os doentes desafiadores de quadros complexos, pois outro tipo de doentes destaca-se mais. A Dra. Mafalda realça que, cada vez, o trabalho da Medicina Interna é muito social. Isto pode afastar da especialidade pessoas que prefiram um dia-a-dia muito focado na execução, mas pode ser atrativo para aqueles que pretendam aliar ao raciocínio clínico a procura de soluções para casos sociais complicados.
Outro aspeto desafiante do internato pode ser o volume elevado de publicações científicas e apresentações de trabalhos em congressos que se espera do interno. Para além disso, as folgas são pouco organizadas e a semana conta com muitas horas extra. Por outro lado, para quem tem interesse em realizar prática clínica no privado, atualmente têm vindo a crescer oportunidades em todo o lado.

Da Medicina Interna, passámos para uma especialidade com vários pontos em comum, que é a Medicina Intensiva, sobre a qual nos falou o Dr. Miguel Gonçalves Pereira. O Dr. Miguel começou por desmistificar, com alguns números, a ideia de que a maioria dos doentes da Medicina Intensiva não chegam a melhorar e acabam por morrer. 80% dos doentes admitidos nas Unidades de Cuidados Intensivos melhoram e progridem para outras unidades e, mais tarde, para a alta hospitalar. Ainda assim, admite que há uma mortalidade superior a uma enfermaria normal.
É uma especialidade que exige muitas horas semanais e, para além disso, estas horas são muito esgotantes. No entanto, para quem gosta da imprevisibilidade e da adrenalina, esta é uma especialidade adequada. Nos últimos anos, têm sobrado vagas para Medicina Intensiva no processo de escolha do internato.
Se na Medicina Intensiva se lida muitas vezes com doentes em fim de vida, também na Oncologia isso acontece. Foi o Dr. Bruno Silva quem nos veio falar do internato desta especialidade. Começa com dois anos em Medicina Interna, nos quais fazem exatamente o mesmo que os internos de Medicina Interna. Depois disso, o resto do internato e da prática clínica pós-especializada passa principalmente por ambulatório, nomeadamente pela consulta externa. Aliado à consulta externa, há também uma parte muito importante de reuniões multidisciplinares e discussão com colegas.
A partir do terceiro ano de internato, há mais tempo livre, o que permite complementar com outras atividades, como por exemplo prática privada, que permite aumentar em muito o vencimento mensal. À semelhança de outras especialidades que vimos no bloco da manhã, como a Hematologia e a Endocrinologia, há uma constante inovação na Oncologia. Embora isso permita uma melhoria no prognóstico de muitos doentes, o Dr. Bruno é muito honesto e admite que se torna muito difícil acompanhar todo o progresso que vai acontecendo.

Por fim, para nos falar do internato médico em Psiquiatria, o FutureMD convidou a Dra. Francisca Nunes Braga. Mesmo em 2026, a Psiquiatria continua a ser uma área pouco entendida e que sofre de algum preconceito. No entanto, a Dra. Francisca partilhou que o estigma não vem tanto dos doentes, mas que se nota mais na interação com outros médicos de outras especialidades. Talvez também por ser uma área pouco compreendida e aceite, a prevenção mantém-se escassa.
Relativamente ao equilíbrio entre vida pessoa e trabalho, a Dra. Francisca afirma que, durante o internato, essa harmonia é menos presente. No entanto, como especialista é algo que é definitivamente possível. No que toca aos apoios financeiros para congressos e formações, ao contrário de outras especialidades, isso não é algo muito presente na área da Psiquiatria e é algo cada vez menos frequente à medida que se avança no internato.
Apesar do novo formato adotado pelo FutureMD este ano ser mais cansativo, ocupando a manhã e a tarde do último dia, permite aos participantes contactar com mais especialidades, o que é, sem dúvida, uma mais valia. Possibilita também aos estudantes de Medicina ficarem a conhecer melhor especialidades com as quais se tem pouco contacto ao longo do curso, nomeadamente a Saúde Pública e a Endocrinologia.


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