A mesa-redonda relativa à Ciência do Desporto foi constituída por duas sessões “Train smart, not hard: a ciência do desporto” pelo Dr. João Nuno Silveira e “Papel da Medicina e da Nutrição no Desporto de Alta Competição” pela Prof. Dra. Cláudia Minderico.
A primeira apresentação foi constituída por uma apresentação inicial do orador e do seu percurso na área do desporto, tendo o mesmo abraçado no início do presente ano o projeto de coordenar o departamento médico da Federação Portuguesa de Ciclismo. Foi igualmente destacada a importância de lutar por oportunidades e procurar contactos diversos, reforçando que o percurso na Medicina Desportiva é fortemente marcado por diferentes áreas, nomeadamente a traumatologia, antidopagem, emergência e fisiologia e performance, criando condições para que os profissionais responsáveis possam executar o seu trabalho de forma eficaz, segura e baseada na evidência científica. Adicionalmente, o orador explicou o papel da nutrição na saúde e performance desportiva, salientando que a saúde do atleta deve ser constantemente monitorizada, sendo o nutricionista relevante para uma via de diálogo que permita confiança. A maior parte dos suplementos que vemos ser utilizados por atletas têm uma validade que deve ser comprovada cientificamente, sendo que cada um deverá ser enquadrado na modalidade, no atleta ou mesmo na fase da época desportiva. Deste modo, a alimentação deve ser completa, de forma a fornecer a larga maioria dos nutrientes necessários, sendo a suplementação importante para complementar com os nutrientes em falta. Neste contexto, foi mencionado o website “Informed Sport”, o qual disponibiliza uma listagem de suplementos testados por marca, permitindo uma maior segurança e garantia de risco diminuído de contaminação. A sessão terminou com a apresentação de estratégias de atuação, sendo elas avaliações periódicas, sessões formativas, reuniões com equipas técnicas e controlo na suplementação desportiva, e o futuro que consistirá no reforço do trabalho em equipa, formação contínua, certificação e envolvimento de parceiros.
A segunda sessão iniciou-se com a apresentação do percurso académico da oradora, seguida da exposição da conceção do trabalho de um nutricionista neste contexto, sendo este um ciclo contínuo: periodização do treino, controlo do treino, periodização da nutrição e controlo da nutrição. Foram apresentados os objetivos do trabalho, os quais incluem adaptação (para maximizar as adaptações induzidas pelo treino), recuperação (para otimizar o tempo de recuperação entre treino e competições), morfologia (para otimizar a composição corporal funcional específica para a modalidade), prevenção (para reduzir a taxa de lesões e a debilidade funcional ou doença) e consistência (manutenção do desempenho durante períodos mais prolongados). Mais ainda, abordou-se o impacto de fatores comportamentais e ambientais na saúde e rendimento do atleta, nomeadamente o facto de o risco de lesão aumentar significativamente quando há redução de horas de sono ou quando a qualidade da dieta é comprometida. A Prof. Dra. Cláudia Minderico relembrou, seguidamente, a importância da pirâmide de nutrição desportiva, que organiza prioridades desde a base alimentar (constituída por uma dieta equilibrada e completa) até aos suplementos (que deverão ocupar apenas um patamar superior e ser usados de forma estratégica). A palestra concluiu salientando-se a relevância de uma hidratação adequada com eletrólitos, assim como a importância de macro e micronutrientes para assegurar que o atleta consiga treinar, recuperar e competir ao mais alto nível.
No final de ambas as palestras, realizou-se um espaço de discussão entre participantes e oradores, onde foram abordadas questões como o seu dia-a-dia e a definição de alto rendimento.

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